2020 ainda é mistério para o Botafogo-SP

Matéria atualizada há pouco. Novas informações no final da página.

Se prepare para o “textão”, não há outra forma de explicar tudo com poucas palavras.

O que vai acontecer com o clube centenário depende dos homens que se digladiam nos bastidores

O bom velhinho não trouxe presentes ao Botafogo-SP, ao contrário, trouxe reflexão sobre como reverter a situação durante o Ano Novo. Uma verdadeira guerra se estabeleceu entre os sócios, Botafogo FC e Trexx, na empresa Botafogo Futebol S/A que nasceu em tese para administrar o futebol do clube, mas que divergem sobre a administração do clube.

Uma proposta para selar a paz e resolver toda a vida financeira do clube foi rejeitada pela diretoria executiva e sequer foi levada para votação no Conselho Deliberativo durante assembleia realizada no último dia 27/12/2019. O Botafogo FC levou à Trexx uma proposta em que todas as dívidas do clube seriam quitadas pelo sócio e em troca o clube destinaria mais 9% de suas ações para o investidor, passando dos atuais 60% para 51%, mantendo-se como majoritário, ao passo que a Trexx passaria dos atuais 40% para 49%.

Em reunião com os representantes legais do clube, Virgilio Pires Martins. Alexandre Bortolato e Carlo Fillipine, Adalberto Baptista sinalizou com a concordância e pediu que fosse feita a minuta para que o Conselho Deliberativo apreciasse e em aprovada se transformaria em novo acordo. O problema é que a minuta foi enviada para São Paulo e retornou com vários adendos que não haviam sido acordados, como a incorporação de um ônibus, um automóvel com o logotipo do clube que serve ao administrativo, entre outros itens.

A diretoria executiva mostrou apenas os pontos divergentes em um telão instalado na sala do Conselho, apenas para demonstrar os pontos divergentes. Os conselheiros não tiveram que votar, mas muitos se sentiram afrontados e concordaram extraoficialmente com a não aceitação por parte do executivo.

Para piorar a situação, o atual presidente do Botafogo Futebol Clube apresentou nesta mesma assembleia, através de um porta-voz, uma carta de renúncia justificada pela intenção de abrir caminho para que outra pessoa possa assumir e tentar encaminhar o acordo que ele, por vários motivos alheios a sua vontade, não conseguiu.

A renúncia ainda não foi sequer redigida, quanto mais registrada em cartório, o que leva a um falso entendimento de que legalmente ainda é o presidente, porém juridicamente a manifestação por si só já é o suficiente para que Dmitri Abreu não seja mais o presidente. O estatuto, amparado pela legislação vigente determina que o cargo de presidente seja automaticamente herdado pelo vice Osvaldo Festucci que está em férias com a família e ainda não protocolou intenção de assumir, ou de renunciar também.

Festucci em contato telefônico com esta reportagem, no dia 27/12/2019 afirmou categoricamente que não iria assumir. “Estou fora de Ribeirão, tirei uns dias de férias com minha família. Não quero e não vou assumir. retorno no dia 06/01/2020 e apresento minha renuncia também.

Esta reportagem voltou a falar com Osvaldo Festucci na manhã de hoje, 03/01/2020 para confirmar sua intenção. O dirigente ponderou, disse que sua intenção ainda é renunciar, mas ofereceu um novo olhar sobre a situação.

— Meu posicionamento ainda é o mesmo, porém refleti muito e vou ouvir meus pares antes de oficializar minha posição. Entendo que um acordo com os sócios é fundamental para o futuro próximo do clube. Não serei eu que amo demais o Botafogo FC, inclusive já provei isso ao longo de décadas com muito trabalho e auxílio, que serei o pilar da destruição do clube. Entendo que a pessoa que assumir a condição de presidente tem que ter bom transito em ambos os lados divergentes para construir uma ponte que ampare um bom acordo. Se eu for convencido de que isto acontecerá comigo no cargo, não me importo com qualquer missão que leve “o glorioso” (Botafogo FC) para a estabilidade e crescimento, porém isso tem que acontecer com apoio total de todos, conselheiros, torcida organizada, torcedor comum, dirigentes e todos que querem um Botafogo forte e unido. — revelou Festucci.

Os acontecimentos não param. Em paralelo a todo esse caos político ainda foi movida uma ação contra a Trexx por 10 pessoas, entre elas sócios do clube, conselheiros e alguns ex-presidentes do executivo e do Conselho Deliberativo. A ação pede a anulação do contrato com a S/A por descumprimentos do MOU (Memorandum of Understanding) que em português significa “Memorando de Entendimento”, uma espécie de carta de intenções aprovada para que a negociação seguisse em frente. A justiça é quem irá determinar se as autorizações dadas pelo Conselho Deliberativo forma ou não cumpridas pelo sócio. Se a justiça entender que sim, os botafoguenses perdem a ação e a sociedade continua como está. Caso contrário, a S/A deixa de existir e o controle sobre o futebol, bem como todas as áreas do clube voltam a ser comandadas pelo presidente do Futebol Clube como sempre foi ao longo dos 100 anos de sua existência. Eventuais dívidas com a Trexx ou com os investidores, caso existam e sejam comprovadas, deverão ser pagas pelo clube, porém esta situação será decidia em outro eventual futuro processo.

INFORMAÇÕES SOBRE O REFIS ATUALIZADAS NO FINAL DA PÁGINA

Tem mais! O Ato Trabalhista tem que ser replanejado para o ano de 2020. A Juíza deverá notificar o clube para comparecer a uma reunião em Campinas, no TRT onde estão concentrados todos os processos trabalhistas do clube, já a partir do dia 07/01/2020, data em que a justiça brasileira volta ao trabalho. Na verdade todos os processos ficam em suspenso do dia 20/12/2019 até 20/01/2020, mas a partir do dia 07/01 a Juíza já pode convocar para esclarecimentos. O valor das parcelas é definido pela Juíza que leva em consideração o faturamento do clube. É feita uma projeção de receita para o ano todo e determinando um percentual que deve ser depositado todos os meses formando as 12 parcelas. No primeiro ano do Ato Trabalhista o valor das parcelas era relativamente baixo, poiso clube estava na série C do Brasileiro. No ano seguinte, já na série B houve aumento de receita, o que fez com que as parcelas de 2019 fossem mais altas.

Para definir qual será o valor, é preciso que o clube, através de seu presidente, apresente sua projeção e é aí que o problema aumenta. Quem é o presidente? Não sendo Dmitri, terá que ser Festucci. Se Festucci renunciar, terá que ser o presidente do Conselho, Dr. Hermenegildo, ou ainda o presidente que deverá ser eleito em 30 dias a partir da definição de Festucci. A questão é, seja quem for o presidente do Futebol Clube, qual projeção de receita poderá fazer se não há nenhuma receita para entrar no clube? Atualmente toda a receita é revertida para a S/A, salvo algumas poucas cadeiras cativas, o lucro que não é grande da Boutique e alguma coisa oriunda das escolinhas do clube.

Enfim… para encerrar as más notícias, o orçamento para o paulistão é cerca de 35% inferior ao da série B 2019, incluindo a comissão técnica. Com orçamento de série A2 os dirigentes terão que ser muito bons para conseguir montar um time competitivo. e é neste momento em que a religião vai ajudar, pois alguns milagres tem acontecido na vida do Botafogo e o desta vez terá que ser a transformação de um time modesto em um time que “encaixe” e consiga permanecer na elite paulista.

Após a publicação, recebi alguns telefonemas, um deles de uma das maiores autoridades no assunto tributário, tanto na profissão, como dentro do Botafogo. Na verdade cerca de 70% do valor do REFIS, que é o que está na Procuradoria da Fazenda já foi rescindido por falta de pagamento das parcelas. Outra parte que é o que está Receita Federal venceu no último dia 27/12 o prazo da notificação para pagamento, como isso não foi feito o parcelamento será rescindido também. portanto a descrição acima sobre o REFIS fica atualizada com estas informações. Infelizmente não há como recuperar este REFIS. Futuramente pode ser que haja nova oportunidade, mas por hora é isso.

2 thoughts on “2020 ainda é mistério para o Botafogo-SP

  1. Só uma observação… A recusa da contraproposta feita pela Trexx não ocorreu na reunião de 27/12. Ela foi feita pelo Alexandre Bortolato no dia 26, assim que ele recebeu o documento com diversas alterações em pontos que sequer foram levantados na reunião presencial, como a intenção da Trexx de gerir as cadeiras cativas e camarotes que hoje são do BFC. No dia 27, os conselheiros foram informados de tudo, mas a recusa foi feita no dia anterior.

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